Nossos Indígenas, Já!
KRENAK
Povo Krenak de Resplendor
19/04/2011
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“Não é que deixamos de ser krenak. Quando retornamos para nossa reserva, encontramos o terreno devastado pelos fazendeiros que destruíram as matas para fazer pastagem. Por causa disso, não temos mais espécies em abundância para a caça. Nos rios não há tanto peixe como antigamente”, reclama a líder Dejanira Krenak, de 60 anos. Ela era criança na época da expulsão da etnia das terras que ocupavam. Recentemente, a líder foi contratada pelo projeto “Língua Mãe”, da Ong Rede Vidas. Dejanira é uma das quatro professoras de itho krenak, a língua ancestral da etnia. A expulsão provocou uma espécie de diáspora. Os krenak seguiram para três destinos diferentes. Parte viajou 350 quilômetros, para a fazenda Guarani, no município de Carmésia, onde atualmente moram os Pataxós. Outros seguiram para Tupã, no interior paulista, onde tiveram que dividir a terra com a etnia kaigang. O terceiro grupo krenak se instalou em terras dos Maxacallis, no Nordeste de Minas Dessa convivência forçada surgiram casamentos e nascimentos inter-étnicos. Atorã, Krenak, Nakreré, Naknenuk e Watu são as cinco aldeias da atual Terra Indígena (TI) Krenak. No ano passado, o IBGE contou 276 índios nesse território de 3,7 mil hectares, encravado no município de Resplendor, no Leste de Minas Gerais, banhado pelo Rio Doce, a 445 quilômetros de Belo Horizonte. Os dados do Censo de 2010 são o retrato de uma quase extinção. No início do Século XX, os krenaks eram 5 mil. Já na década de 1920, restavam apenas 600. Além da drástica redução populacional, a etnia sofreu uma forte aculturação, com perda de referências simbólicas. Valdemir Jorge, de 33 anos, é exemplo da miscigenação e do aculturamento. O avô era kaigang e a avó, uma krenak que fugiu do Vale do Rio Doce, temendo ataque dos fazendeiros. Valdemir nasceu na Aldeia Vanuíre, em Tupã (SP) e recentemente se mudou para a T.I. Krenak com a esposa Aparecida, de 37 anos. “Conheci minha mulher quando ela foi visitar um tio que foi obrigado a se mudar de Minas Gerais para a reserva de Tupã”, conta. Diferentemente da época da expulsão, a maior parte dos krenaks jovens fala apenas o português. Praticamente só os mais velhos, como a líder Dejanira, são bilíngues. Vivem todos em casas de alvenaria, têm luz elétrica, televisão, geladeira, telefones celulares e até computador. Além dessas facilidades, muitos krenaks têm carro. É o caso da família formada por Valdemir, Aparecida e os dois filhos. Guardam na garagem um Gol, ano 2005. O carro é usado, principalmente, para as constantes viagens ao Centro de Resplendor, a 18 quilômetros da aldeia. Na cidade, o casal faz compras e vende os adornos que produz na aldeia. “Os enfeites ajudam a compor a renda”, diz Valdemir. A caça e a pesca há muito deixaram de ser a base alimentar. Arroz e carne de açougue, quando há dinheiro, comprados no núcleo urbano de Resplendor são a base da alimentação. O clima quente da região e o solo desgastado pelas pastagens dos fazendeiros que por décadas ocuparam a área, além da escassez de água, tornaram as culturas de arroz e feijão praticamente inviáveis. Restou o cultivo de banana e, principalmente, de mandioca. As roupas feitas com casca de árvore no início do Século XX desapareceram. Os índios usam, no dia a dia, as roupas modestas disponíveis no comércio de Resplendor. Pinturas no rosto, brincos com penas coloridas, cocares, e cachimbo com ervas, são usados apenas em apresentações comemorativas nas cidades ou em festas nas aldeias. |
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Pataxó
Povo Pataxó de Carmésia
19/04/2011
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O grande desafio dos índios pataxós, quatro décadas depois da fixação nesse município do Vale do Rio Doce, a pouco mais de 200 quilômetros de Belo Horizonte, é recuperar o patrimônio cultural mais caro a um povo: a própria língua. Estudiosos afirmam que o pataxó, parecido com o idioma dos maxacalis, do Nordeste de Minas, praticamente desapareceu há mais de 150 anos.“Fazemos trabalho de formiguinha. Estamos reinventando a língua. Esperamos que, em breve, os índios consigam formar frases”, diz Valmores Pataxó. O líder indígena de Carmésia integra um grupo de aproximadamente 150 Pataxós de Minas Gerais e da Bahia que, em 1995, constituíram uma espécie de força-tarefa para recuperar a língua da etnia. Pataxós mais antigos foram entrevistados para a produção de material didático para as escolas das aldeias, composto por uma espécie de dicionário e CDs com canções tradicionais. Apesar do esforço, nenhum pataxó sabe atualmente falar o idioma fluentemente, nem mesmo os que trabalham como voluntários nas escolas indígenas, construídas com tijolos, mas com formato de oca. Fugidos em 1951 de Barra Velha, no interior da Bahia, depois de um massacre comandado por policiais militares, os pataxós que se fixaram em Carmésia viveram um processo ainda mais brutal de aculturação do que os parentes que ficaram na aldeia original. Muitos desses fugitivos optaram por esconder a identidade, com medo de serem caçados pelos algozes. Depois de perambular pelo interior da Bahia, começaram a migrar para Minas Gerais na década de 1970. Licenciado em Língua Indígena pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) , Valmores, que também é secretário de Esporte, Cultura e Lazer de Carmésia, avalia que o êxodo e o decorrente contato forçado com não índios aprofundaram a decadência do uso da língua ancestral. |
Povo Maxakali
Povo Maxakali do Nordeste de Minas Gerais
19/04/2011
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Bayí Maxacali, bayí Apesar de se encontrarem na pior situação econômica entre todas as tribos indígenas do Estado, os Maxacalis se acham melhores. Na verdade, o povo de baixa estatura e expectativa de vida em torno dos 40 anos – a mesma do Brasil em 1950 – se considera o único povo genuinamente indígena das Minas Gerais. “Nós tem língua, nós tem religião, nós tem dança, nós tem brincadeira. Os outros, que tem? Nada. Nós é que somos índios” afirma sempre o cacique Manoel Kelé Maxakali, cacique da tribo Água Boa, no município de Santa Helena de Minas. A tribo é a mais numerosa entre as quatro da etnia. Conta com 1.200 indivíduos. Destes, menos de 10% tem banheiro ou fossa ou fornecimento de água. As necessidades são feitas no mato, ao redor das casas e próximas ao córrego que corta a reserva. A energia elétrica chegou às casas da aldeia há pouco mais de um ano. O resultado da soma destes fatores é quem em janeiro de 2010 houve um surto de diarreia que matou 23 bebês e crianças de até dois anos. Mas de 50 foram hospitalizadas. O diagnóstico das causas de todas as mortes foi a bactéria escherichia coli, um micróbio relativamente comum, que pode ser combatido com água, sabão e o uso de banheiro. Leia mais no site https://www.cedefes.org.br |