IDEOLOGIA!
A TENAZ PROCURA DO MACACO NO HOMEM
UMA CIÊNCIA DO SÉCULO XIX ENSANGÜENTA O SÉCULO XX
Para os festejos do seu Bicentenário, a cidade de Jequitinhonha (MG) pediu, e conseguiu da Alemanha, a restituição do crânio do borun (“botocudo”) Kuêk, amigo do naturalista alemão Príncipe Maximiliano de Wied, falecido no seu Palácio e guardado num museu de Anatomia em Bonn, o que se passará nos dias 13/14 e 15 de maio, durante Encontro Indígena.
Maximiliano teria levado Kuêk para a Alemanha em 1818 por um caso único de amizade. Mas Kuêk, ainda vivo, não escapou de servir como objeto de experiência de craniometria nas universidades alemãs: os indígenas da América do Sul seriam "o elo perdido entre o homem e o macaco", era preciso prová-lo.
No século XIX existiu intenso comércio de crânios de indígenas (e também viventes) do Brasil, alimentado pelas instituições científicas européias. A craniometria, “ciência de medição do cérebro”, seguiu servindo no século XX como arma ideológica.
Aos inglêses na sua política contra o irlandeses e africanos, à nossa Primeira República contra os miseráveis (Antônio Conselheiro “craniometrado” por Nina Rodrigues, denotava “sua condição de mestiço”).Aos nazistas, separando arianos de não-arianos.
Durante o “Encontro Indígena – Homenagem ao Botocudo Kuêk ao Príncipe Maximiliano”, o Prefeito de Jequitinhonha devolverá os restos mortais de Kuêk à sua tribo, que efetuará as exéquias em seu território, segundo os ritos e crenças tribais.
Fontes: SCHWARCZ, Lilia Moritz. O ESPETÁCULO DAS RAÇAS: CIENTISTAS, INSTITUIÇÕES E QUESTÃO RACIAL NO BRASIL. São Paulo, Companhia das Letras, 1.ª Edição, 1993:1994.
Soares, Geralda Chaves, “NA TRILHA GUERREIRA DOS BORUN”, Instituto Metodista Isabela Hendrix, Belo Horizonte, 2010.